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Conceitos de precificação

CMV: o que é e como calcular

Entenda o que é o CMV, o custo da mercadoria vendida, como calcular em valor e em percentual e qual faixa usar como referência no seu negócio.

Por Paulo Mattos · 5 min de leitura

CMV: o que é e como calcular
Neste guia
  1. O que é CMV
  2. CMV em valor e CMV em percentual
  3. Qual CMV usar como referência
  4. Como calcular o CMV do mês
  5. Perdas e aproveitamento entram no CMV
  6. Como usar o CMV no dia a dia
  7. Resumo

Muito dono de negócio trabalha o mês inteiro, vende bem e chega no fim do mês sem saber para onde foi o dinheiro. Em boa parte dos casos, a resposta começa em uma sigla que pouca gente conhece: CMV, o custo da mercadoria vendida.

O CMV é um dos indicadores mais simples da gestão financeira e, ao mesmo tempo, um dos mais úteis. Com ele você descobre se o preço de cada produto tem espaço para pagar as contas da empresa, ou se está apertado demais.

O que é CMV

CMV significa custo da mercadoria vendida. É a soma de tudo o que você gastou para ter aquele produto pronto para vender.

  • Em uma loja de revenda, é o valor pago ao fornecedor mais o frete, a embalagem e os impostos pagos na compra.
  • Em quem produz, como restaurante, confeitaria ou confecção, é a soma dos insumos usados no produto: ingredientes, tecido, linha, embalagem.

O CMV não inclui aluguel, energia do ponto ou salário do administrativo. Esses gastos existem com ou sem venda e são tratados à parte, como despesas fixas.

CMV em valor e CMV em percentual

O CMV pode ser olhado de duas formas, e as duas são importantes.

Em valor, ele responde quanto custa cada produto. Exemplo: você compra uma camisa por R$ 20,00 e paga R$ 0,50 de frete por peça. O CMV dessa camisa é R$ 20,50.

Em percentual, ele mostra quanto do preço de venda vai embora só para pagar o produto. A conta é:

  1. Pegue o custo do produto.
  2. Divida pelo preço de venda.
  3. Multiplique por 100.

Se a camisa de R$ 20,50 é vendida por R$ 59,90, o CMV é 20,50 dividido por 59,90, igual a 0,342. Multiplicando por 100, o CMV é de 34,2%. O que sobra, 65,8%, é a margem que vai ajudar a pagar o resto das contas e formar o lucro.

CMV e margem são complementares. Se o CMV sobe, a margem cai na mesma proporção.

Qual CMV usar como referência

Não existe um número único para todos os negócios, mas algumas faixas ajudam a perceber quando algo está fora do lugar:

  • Varejo (loja que vende para o consumidor final): em geral, entre 30% e 35%. Alguns negócios trabalham com menos, entre 20% e 25%.
  • Atacado: o CMV costuma ser bem mais alto, na faixa de 50% a 65%, porque a venda é em volume.
  • Bares e restaurantes: uma referência comum é manter o CMV dos pratos perto de 30% ou abaixo disso.
  • Produção caseira, quando a pessoa coloca no custo também gás, água e a própria mão de obra: o CMV fica naturalmente mais alto, perto de 40%, porque esses gastos já estão incluídos.

Quando um produto foge muito da faixa do seu negócio, ele merece atenção. Já vi empresas com produtos de CMV em 90%. Com imposto de 10% sobre a venda, a conta simplesmente não fecha: a empresa paga para vender.

Como calcular o CMV do mês

Além do CMV de cada produto, dá para calcular o CMV da empresa no mês. A conta usa o estoque:

  1. Anote o valor do estoque no início do mês.
  2. Some as compras de mercadoria feitas no mês.
  3. Diminua o valor do estoque no fim do mês.

Exemplo: estoque inicial de R$ 30.000, compras de R$ 25.000 e estoque final de R$ 27.000. O CMV do mês é 30.000 mais 25.000 menos 27.000, igual a R$ 28.000. Se o faturamento foi de R$ 80.000, o CMV do mês ficou em 35%.

Perdas e aproveitamento entram no CMV

Um detalhe que pesa muito em quem trabalha com alimentos: nem tudo o que você compra vira produto. A cebola tem casca, o camarão perde água e casca, um ovo vem quebrado na cartela. Isso se chama aproveitamento.

Veja um exemplo bem simples. Uma cartela com 30 ovos custa R$ 15,00, ou seja, R$ 0,50 por ovo. Mas sempre existe alguma perda. Considerando 98% de aproveitamento, o custo real de cada ovo passa para cerca de R$ 0,51. Parece pouco em um ovo. Em uma operação que usa centenas de ovos e dezenas de outros insumos, a diferença aparece no fim do mês.

O contrário também acontece: o arroz rende bem mais do que o peso comprado. Por isso a ficha técnica é tão importante. Ela lista cada insumo do produto, a quantidade usada e o aproveitamento, e precisa ser atualizada sempre que o preço de um insumo muda.

Como usar o CMV no dia a dia

O caminho mais prático é montar uma planilha simples com todos os produtos, o custo e o preço de venda de cada um, e calcular o CMV percentual de todos. Em poucos minutos você enxerga:

  • Produtos com CMV alto demais, que estão sobrando pouco ou nada.
  • Produtos que precisam de reajuste porque o custo subiu e o preço ficou parado.
  • Produtos com folga, que sustentam o resultado da empresa.

Se você tem muitos itens, comece pelos que mais vendem. Em geral, uma pequena parte dos produtos responde pela maior parte do faturamento, e é ali que um ajuste faz mais diferença.

Resumo

  • CMV é o custo da mercadoria vendida: tudo o que você gasta para ter o produto pronto para vender.
  • Em percentual, ele mostra quanto do preço vai embora só com o produto.
  • No varejo, uma referência comum é de 30% a 35%. Em restaurantes, perto de 30%.
  • Perdas e aproveitamento precisam entrar no cálculo.
  • Uma planilha com o CMV de cada produto mostra rapidamente onde o preço está apertado.

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