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Conceitos de precificação

Margem de segurança no preço: como incluir imprevistos

Veja como calcular, com os números da sua empresa, o percentual de perdas e imprevistos que deve entrar no preço e o efeito disso no lucro.

Por Paulo Mattos · 4 min de leitura

Margem de segurança no preço: como incluir imprevistos
Neste guia
  1. O que é a margem de segurança
  2. O que costuma entrar
  3. Como calcular com os seus números
  4. Como entra no preço
  5. Onde ela faz mais diferença
  6. O que a margem de segurança não é
  7. Como manter a conta em dia
  8. Resumo

"Calculei tudo certinho, mas no fim do mês sobrou menos do que eu planejei." Muitas vezes a explicação está em custos que não aparecem na ficha do produto: o item que estragou, o cliente que não pagou, o desconto dado na hora, a mercadoria que subiu entre a compra e a venda. Esses custos existem em qualquer negócio, e o preço precisa levá-los em conta.

Neste guia você vai ver como calcular uma margem de segurança com base nos números da própria empresa, como colocar no preço e quando ela faz mais diferença.

O que é a margem de segurança

É um percentual incluído no preço para cobrir perdas e imprevistos que acontecem com frequência. Em vez de esperar que eles tirem do seu lucro, você prevê uma parte no preço.

Não é inflar o preço nem "colocar uma gordura". É medir quanto o negócio perde e distribuir esse custo entre as vendas.

O que costuma entrar

  • Perdas de produto: validade, quebra, mancha, furto.
  • Trocas e devoluções.
  • Inadimplência: venda a prazo que não foi paga.
  • Descontos de última hora, dados na negociação.
  • Retrabalho: serviço que precisou ser refeito.
  • Variação de custo entre a compra e a venda, principalmente em orçamentos com preço fechado.

Como calcular com os seus números

Não use um percentual de outro negócio. Some o que a sua empresa perdeu em uma média de alguns meses e divida pelo faturamento.

Exemplo de um mês:

  • Produtos perdidos e quebrados: R$ 900,00
  • Vendas não pagas: R$ 600,00
  • Trocas e descontos de última hora: R$ 300,00
  • Total das perdas: R$ 1.800,00
  • Faturamento do mês: R$ 60.000,00

Margem de segurança = 1.800 dividido por 60.000 = 3%.

Use a média de pelo menos três meses, para um mês muito ruim ou muito bom não distorcer a conta.

Como entra no preço

A margem de segurança é um percentual a mais na soma dos que acompanham a venda. Produto com custo de R$ 40,00, imposto de 6%, cartão de 3%, despesas fixas de 20% e lucro de 12%:

  • Sem segurança: soma de 41%. Preço = 40,00 dividido por 0,59 = R$ 67,80.
  • Com 3% de segurança: soma de 44%. Preço = 40,00 dividido por 0,56 = R$ 71,43.

A diferença é de R$ 3,63. Se o preço de R$ 67,80 for mantido e as perdas de 3% acontecerem, o lucro de 12% cai para 9%. Quase um quarto do lucro vai embora.

Onde ela faz mais diferença

  • Orçamentos e encomendas com preço fechado, em que o custo pode subir até a entrega.
  • Produtos perecíveis, que vencem ou estragam.
  • Venda a prazo para quem tem histórico de atraso.
  • Serviços com chance de retrabalho.
  • Produtos importados ou com custo ligado ao dólar.

Cada tipo de produto pode ter um percentual diferente. O de hortifruti será maior que o de material de escritório.

O que a margem de segurança não é

  • Não é reserva de emergência. A reserva é dinheiro guardado pela empresa para uma crise. A margem de segurança é parte do preço para cobrir perdas do dia a dia.
  • Não substitui o controle. Se a perda é grande, o caminho é reduzi-la (comprar menos, vender antes do vencimento, cobrar melhor), e não só repassar ao cliente.
  • Não é para esconder erro de preço. Se o preço está desatualizado, atualize.

Como manter a conta em dia

  1. Registre as perdas todo mês, em uma linha para cada tipo.
  2. Calcule o percentual com a média dos últimos meses.
  3. Revise a cada trimestre. Se a perda diminuiu, a margem de segurança pode diminuir também.
  4. Confira o efeito no preço do produto que mais vende.

Resumo

  • A margem de segurança cobre perdas frequentes: quebra, validade, inadimplência, troca e desconto.
  • Calcule com os números da sua empresa: perdas do mês dividido pelo faturamento.
  • Ela entra na soma dos percentuais, antes da divisão do custo.
  • Faz mais diferença em orçamentos de preço fechado, perecíveis e venda a prazo.
  • Reduzir a perda é melhor que só repassá-la ao preço.

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