Neste guia
"A empresa vende bem, mas no fim eu não sei se deu lucro." Quem tem essa dúvida precisa de um relatório simples chamado DRE, o Demonstrativo de Resultado do Exercício. Ele mostra, em ordem, o que a empresa vendeu, o que gastou e o que sobrou. Sem ele, o dono trabalha no escuro.
Neste guia você vai aprender a montar uma DRE gerencial, simples e feita para a tomada de decisão, com um exemplo completo.
O que é a DRE
A DRE é um relatório que organiza as contas da empresa em uma sequência: parte do que você vendeu e vai descontando os gastos até chegar ao resultado. A contabilidade tem o seu formato próprio, usado para obrigações legais. Aqui vamos ver uma versão gerencial, pensada para quem administra o negócio.
Uma frase ajuda a entender: a DRE não serve para ser preenchida, serve para decidir.
A estrutura em seis linhas
- Faturamento (vendas do mês). Tudo o que foi vendido no período, mesmo que seja a prazo.
- Menos impostos sobre vendas.
- Menos custos variáveis. Mercadoria vendida, comissões, taxas de cartão e embalagem.
- Igual à margem de contribuição. É o que sobra para pagar as despesas fixas.
- Menos despesas fixas. Aluguel, folha, pró-labore, contador, sistemas, energia.
- Igual ao resultado do período. Lucro ou prejuízo.
Um exemplo completo
Veja os números de um mês:
- Faturamento: R$ 100.000
- Impostos sobre vendas: R$ 6.000
- Custo das mercadorias vendidas: R$ 40.000
- Comissões e taxas de cartão: R$ 4.000
A margem de contribuição é 100.000 menos 6.000 menos 40.000 menos 4.000, que dá R$ 50.000, ou 50% do faturamento.
Agora as despesas fixas:
- Aluguel: R$ 8.000
- Folha de pagamento: R$ 18.000
- Pró-labore: R$ 8.000
- Outras despesas fixas: R$ 6.000
O total é R$ 40.000. O resultado é 50.000 menos 40.000, que dá R$ 10.000 de lucro, ou 10% do faturamento.
O que a DRE mostra que o caixa não mostra
O fluxo de caixa registra o dinheiro quando ele entra e sai. A DRE olha para o resultado das vendas do mês, mesmo que parte seja recebida depois. Por isso os dois relatórios podem contar histórias diferentes:
- Uma empresa pode ter lucro na DRE e caixa apertado, porque vendeu a prazo e comprou estoque à vista.
- Pode ter caixa cheio e prejuízo, porque pegou um empréstimo.
Os dois relatórios se complementam. Um mostra a saúde do resultado, o outro a saúde do dinheiro.
Como usar a DRE para decidir
Com a DRE do mês, você responde perguntas que antes eram palpite:
- O preço está certo? Se a margem de contribuição é baixa, o preço ou o custo precisam de ajuste.
- As despesas fixas estão pesadas? Compare o total com a margem de contribuição.
- Cabe um novo gasto? Veja quanto sobra depois dele.
- O mês foi melhor ou pior? Compare mês a mês, olhando percentuais e não apenas reais.
Uma dica é transformar cada linha em percentual do faturamento. No exemplo, custo de mercadoria é 40%, impostos 6%, despesas fixas 40% e lucro 10%. Fica fácil perceber o que muda de um mês para o outro.
Erros comuns
- Misturar empréstimo com venda, inflando o faturamento.
- Esquecer o pró-labore, o que faz o lucro parecer maior do que é.
- Misturar custos e despesas fixas, o que atrapalha a margem de contribuição.
- Montar a DRE uma vez e nunca mais olhar. Ela vale quando é feita todo mês.
Resumo
- A DRE mostra o que vendeu, o que gastou e o que sobrou.
- A sequência é faturamento, impostos, custos variáveis, margem de contribuição, despesas fixas e resultado.
- Ela é diferente do fluxo de caixa: olha para as vendas do mês, e não para o dinheiro que entrou.
- Transforme cada linha em percentual do faturamento para comparar os meses.
- Faça todo mês, com um plano de contas organizado.






