Paulo Mattos Mentor Precifica Fácil
Conceitos de precificação

Como precificar com imposto e taxa de cartão

Como incluir impostos, taxa de maquininha e parcelamento no preço de venda para que esses descontos não saiam do seu lucro.

Por Paulo Mattos · 4 min de leitura

Como precificar com imposto e taxa de cartão
Neste guia
  1. Os dois tipos de imposto na precificação
  2. As taxas que ficam com parte de cada venda
  3. Como colocar imposto e taxas no preço
  4. Um preço para cada forma de pagamento e canal
  5. Frete grátis também tem custo
  6. Resumo

Você calcula o preço, vende bem, mas no fim do mês o resultado é menor do que deveria. Em muitos casos, o dinheiro que falta foi embora em imposto e taxa de cartão que não estavam no preço. Eles parecem pequenos, 6% aqui, 3% ali, mas são cobrados em toda venda, e juntos podem levar boa parte da sua margem.

Os dois tipos de imposto na precificação

Para precificar, é importante separar dois momentos em que o imposto aparece.

Imposto pago na compra. Alguns produtos já chegam com imposto pago na origem, como os que têm substituição tributária, destacada na nota fiscal. Também existem casos com IPI e outros tributos na compra. Esse imposto faz parte do custo do produto e precisa ser somado a ele. Se ficar de fora, o custo parece menor e a margem parece maior do que é.

Imposto sobre a venda. É o imposto calculado sobre o faturamento, de acordo com o seu regime tributário. Ele é um percentual do preço de venda e entra na fórmula do preço, junto com as taxas.

Um cuidado: produto com substituição tributária normalmente não paga de novo o imposto na venda, porque já pagou na origem. Se a sua empresa revende muitos itens assim, converse com o contador. Já vi empresa pagando imposto a mais por não separar esses produtos.

Para saber o seu percentual de imposto sobre a venda, peça ao contador a alíquota efetiva do seu regime, aquela que você realmente paga sobre o faturamento.

As taxas que ficam com parte de cada venda

  • Cartão de débito: a menor taxa entre os cartões.
  • Cartão de crédito à vista: um pouco maior.
  • Crédito parcelado: maior ainda, e cresce com o número de parcelas.
  • Antecipação de recebíveis: se você antecipa o dinheiro das vendas no cartão, paga mais um percentual por isso.
  • Aplicativos de entrega e marketplaces: em alguns casos as comissões chegam perto de 30% do valor da venda.
  • Boleto e link de pagamento: costumam ter tarifa por transação.

Muitos aplicativos não deixam clara a taxa real. Some todas as cobranças de um mês e divida pelo total vendido no aplicativo. Esse é o percentual que vale para a sua conta.

Como colocar imposto e taxas no preço

Imposto e taxas são cobrados sobre o preço de venda. Por isso eles entram dividindo, e não somando em cima do custo:

Preço = custo dividido por (1 menos a soma dos percentuais)

Na soma entram imposto, taxa, gastos fixos em percentual e lucro desejado.

Um preço para cada forma de pagamento e canal

Como cada forma de pagamento e cada canal tem um custo diferente, faz sentido ter um preço para cada um. A legislação permite cobrar preços diferentes conforme a forma de pagamento, desde que isso esteja informado com clareza ao cliente.

Veja um produto com custo de R$ 20,00, imposto de 6%, gastos fixos de 15% e lucro desejado de 15%:

  • Pix ou dinheiro (sem taxa): percentuais somam 36%. Preço = 20 dividido por 0,64, igual a R$ 31,25.
  • Cartão de crédito (taxa de 4%): percentuais somam 40%. Preço = 20 dividido por 0,60, igual a R$ 33,33.
  • Aplicativo de entrega (comissão de 27%): percentuais somam 63%. Preço = 20 dividido por 0,37, igual a R$ 54,05.

Se você cobra os mesmos R$ 31,25 no aplicativo, a comissão de 27% leva R$ 8,44 de cada venda. O lucro desejado não existe mais e o produto passa a tirar dinheiro da empresa.

Repare também no último caso: quando a soma dos percentuais fica muito alta, o preço necessário sobe muito. Às vezes a conclusão é que aquele canal só faz sentido para alguns produtos, ou como forma de atrair clientes que depois compram por um canal mais barato.

Frete grátis também tem custo

Frete grátis não existe: alguém paga. Se você oferece, o valor da entrega precisa estar embutido no preço. Às vezes vale a pena, porque o cliente gosta e em alguns aplicativos isso até melhora a exposição da loja. A forma de saber é testar: uma semana com frete cobrado à parte, outra com frete embutido, e comparar o resultado.

Resumo

  • Imposto pago na compra entra no custo. Imposto sobre a venda entra como percentual do preço.
  • Taxas de cartão, antecipação e aplicativo são cobradas em toda venda e precisam estar no preço.
  • Use a fórmula com divisão: custo dividido por (1 menos a soma dos percentuais).
  • Tenha preços diferentes por forma de pagamento e por canal, informados com clareza.
  • Frete grátis precisa estar embutido no preço.

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