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Preço de custo, preço de venda e lucro são três números que aparecem em qualquer conversa sobre precificação. Todo mundo acha que sabe o que eles são, até tentar explicar. E a confusão entre os três é justamente o que faz tanta gente trabalhar muito e não ver o dinheiro no fim do mês.
Vamos separar cada um, com exemplos, e ver como eles se conectam.
Preço de custo: tudo o que você paga para ter o produto
Preço de custo é tudo o que você paga para adquirir ou produzir o produto. Quem revende paga o fornecedor. Quem trabalha com alimentos paga os ingredientes. Quem tem confecção paga tecido, linha e aviamentos.
O erro mais comum é parar no valor da nota fiscal. O preço de custo real inclui também:
- O frete da compra, dividido entre os itens.
- A embalagem que vai com o produto.
- Os impostos pagos na compra.
- As perdas: o que quebra, vence, mancha ou não é aproveitado.
Um custo menor do que o real faz tudo o que vem depois parecer melhor do que é.
Preço de venda: o que está na etiqueta
Preço de venda é o valor que o cliente paga. É o número da etiqueta, do cardápio, do orçamento.
Aqui entra uma diferença importante: preço não é o mesmo que valor. O preço é o que está marcado. O valor é o que o cliente percebe que aquilo vale. Ele só compra quando percebe um valor igual ou maior do que o preço. Por isso, tudo o que influencia essa percepção influencia o preço que você consegue cobrar: atendimento, organização da loja, apresentação do produto, agilidade na entrega.
E o preço de venda precisa pagar muito mais do que o preço de custo. Dele saem também o imposto sobre a venda, a taxa do cartão, a comissão e uma parte das contas fixas da empresa.
Lucro: o que sobra para a empresa, não para o produto
Aqui está a confusão mais cara. Muita gente olha a diferença entre preço de venda e preço de custo e chama isso de lucro. Não é.
Essa diferença é a margem de contribuição: o valor que cada venda deixa para ajudar a pagar as contas da empresa. O produto em si não dá lucro. Quem dá lucro é a empresa, quando a soma das margens de todas as vendas do mês é maior do que todos os gastos.
Lucro = faturamento menos custos menos despesas, considerando a empresa inteira, no mês.
Um exemplo que junta os três
Uma loja vende uma bolsa por R$ 120,00 (preço de venda). O preço de custo, com frete e embalagem, é R$ 48,00. A diferença, R$ 72,00, parece ótima. Mas de cada venda ainda saem imposto de 6% (R$ 7,20) e taxa de cartão de 3% (R$ 3,60). A margem de contribuição de verdade é R$ 61,20, ou 51% do preço.
Agora olhe a loja no mês:
- Faturamento: R$ 50.000.
- Custo das mercadorias vendidas: R$ 20.000.
- Imposto e taxas: R$ 4.500.
- Aluguel, salários, contador, energia e pró-labore: R$ 21.000.
O lucro do mês é 50.000 menos 20.000, menos 4.500, menos 21.000, igual a R$ 4.500, ou 9% do faturamento.
A bolsa tem margem de contribuição de 51%. A loja tem lucro de 9%. Os dois números estão certos. Eles só medem coisas diferentes.
O mito do "comprei por 50, vendi por 100, ganho 100%"
Se o preço de custo é R$ 50 e o preço de venda é R$ 100, a diferença de R$ 50 representa 50% do preço de venda, e não 100%. É sobre o preço de venda que imposto, taxa e contas fixas são cobrados. Pensar em 100% dá a sensação de que sobra muito mais do que realmente sobra.
Como usar esses conceitos no dia a dia
- Mantenha o preço de custo atualizado. Cada compra com preço novo muda a conta.
- Calcule a margem de contribuição de cada produto, não só a diferença entre venda e custo.
- Olhe o lucro da empresa todo mês, separando o dinheiro da empresa do dinheiro pessoal. Sem essa separação, não dá para saber se o lucro existe.
- Trabalhe a percepção de valor. É ela que permite um preço de venda saudável sem perder o cliente.
Resumo
- Preço de custo é tudo o que você paga para ter o produto: fornecedor, frete, embalagem, impostos da compra e perdas.
- Preço de venda é o que o cliente paga. Ele precisa cobrir o custo, o imposto, as taxas e parte das contas fixas.
- Preço não é valor: o cliente compra quando percebe valor igual ou maior que o preço.
- A diferença entre venda e custo é margem de contribuição, não lucro.
- Lucro é da empresa: faturamento menos todos os custos e despesas do mês.






