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Conceitos de precificação

Como calcular o preço do serviço por hora

Como calcular o valor da hora considerando o ano inteiro, as horas que não podem ser cobradas, o imposto e a sobra que o negócio precisa.

Por Paulo Mattos · 4 min de leitura

Como calcular o preço do serviço por hora
Neste guia
  1. Por que dividir o mês por 160 horas não funciona
  2. Passo 1: quanto você precisa por ano
  3. Passo 2: quantas horas você realmente cobra no ano
  4. Passo 3: o custo da sua hora
  5. Passo 4: do custo ao preço da hora
  6. Materiais e deslocamento à parte
  7. Valor mínimo por atendimento
  8. Urgência, horário e complexidade
  9. Acompanhe suas horas
  10. Resumo

"Cobro R$ 40 a hora porque é o que todo mundo cobra." O valor da hora é a base do preço de quase todo serviço, de eletricista a designer, de consultor a manicure. E é justamente por ser tão básico que tanta gente define esse valor sem conta, olhando o vizinho. O resultado costuma ser uma agenda cheia e um fim de mês apertado.

Neste guia você vai ver como calcular o preço do serviço por hora considerando o ano inteiro, as horas que não podem ser cobradas e o que precisa sobrar além do seu salário.

Por que dividir o mês por 160 horas não funciona

A conta mais comum é pegar quanto você quer ganhar no mês e dividir pelas horas de trabalho. O problema é que ela parte de duas ideias erradas:

  • Que todas as horas de trabalho podem ser cobradas. Não podem. Uma parte do tempo vai para orçamentos, deslocamentos, compras, divulgação, administração e retrabalho.
  • Que você trabalha os 12 meses do ano. Você precisa de férias, e há feriados, dias parados e meses mais fracos. Mas as contas chegam todo mês.

Passo 1: quanto você precisa por ano

Some, por mês:

  • O seu pró-labore, o valor que você precisa receber para viver.
  • Os custos fixos do trabalho: ferramentas e sua manutenção, veículo, celular, internet, contador, sistemas, espaço de trabalho.

Exemplo: pró-labore de R$ 4.500,00 e custos fixos de R$ 1.500,00. Total de R$ 6.000,00 por mês, ou R$ 72.000,00 por ano.

Passo 2: quantas horas você realmente cobra no ano

  1. Meses de trabalho: descontando cerca de um mês de férias, feriados e dias parados, considere 11 meses.
  2. Horas disponíveis por mês: 21 dias de 8 horas dão 168 horas.
  3. Percentual cobrável: anote por algumas semanas quanto do seu tempo vai para serviço pago. Para muitos prestadores, fica perto de 60%.

No exemplo: 168 horas vezes 60% = 100,8 horas cobráveis por mês. Em 11 meses, 1.108,8 horas cobráveis no ano.

Passo 3: o custo da sua hora

Custo da hora = necessidade anual dividido por horas cobráveis no ano

72.000 dividido por 1.108,8 = R$ 64,94 por hora.

Esse é o valor que só empata as contas e paga o seu salário. Ainda não é o preço.

Passo 4: do custo ao preço da hora

Sobre o preço ainda incidem o imposto e, se você aceita cartão, a taxa da maquininha. E o seu negócio precisa de uma sobra para reserva, troca de equipamentos e crescimento.

Com imposto de 6% e uma sobra de 14%, a soma é de 20%:

Preço da hora = 64,94 dividido por (1 menos 0,20) = 64,94 dividido por 0,80 = R$ 81,17. Arredondando, R$ 81,00 por hora.

Para comparar: quem divide R$ 6.000,00 pelas 168 horas do mês chega a R$ 35,71 e cobra menos da metade do necessário.

Materiais e deslocamento à parte

O valor da hora remunera o seu tempo e a sua estrutura. Os materiais usados em cada serviço devem ser cobrados à parte, pelo custo real, com a mesma lógica de imposto e margem. Deslocamentos longos também podem ter uma taxa própria, para não pesarem no valor de todos os clientes.

Valor mínimo por atendimento

Um serviço de 20 minutos do outro lado da cidade pode custar mais de uma hora do seu dia, entre ir, voltar e se organizar. Por isso muitos prestadores cobram um valor mínimo por visita ou atendimento, que cobre pelo menos o deslocamento e uma fração da hora.

Urgência, horário e complexidade

O mesmo serviço pode ter preços diferentes:

  • Urgência: atender no mesmo dia desorganiza a agenda e pode custar outro cliente. Um adicional é justo.
  • Fora do horário: noite, fim de semana e feriado.
  • Complexidade e risco: serviços que exigem mais experiência, ferramenta especial ou responsabilidade maior.

Deixe esses adicionais claros na sua tabela, antes de o cliente perguntar.

Acompanhe suas horas

O cálculo só fica bom se as horas forem reais. Anote, pelo menos por um mês, quanto tempo cada serviço levou de verdade, contando preparação e deslocamento. Muitos prestadores descobrem que alguns serviços levam bem mais tempo do que imaginavam, e é exatamente nesses que o preço estava errado.

Resumo

  • Calcule a hora pelo ano inteiro, considerando férias e dias parados.
  • Use só as horas cobráveis, não todas as horas de trabalho.
  • Custo da hora: necessidade anual dividido por horas cobráveis no ano.
  • Do custo ao preço: custo da hora dividido por (1 menos imposto menos sobra desejada).
  • Cobre materiais à parte e tenha valor mínimo e adicionais claros.

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