Paulo Mattos Mentor Lucro Certo
Conceitos de precificação

Como separar a conta pessoal da conta da empresa

Veja por que misturar as contas esconde o lucro e distorce o preço, e aprenda a definir uma retirada fixa e a separar o dinheiro de casa e do negócio.

Por Paulo Mattos · 4 min de leitura

Como separar a conta pessoal da conta da empresa
Neste guia
  1. Por que a mistura destrói a análise
  2. Passo 1: descubra quanto você precisa para viver
  3. Passo 2: defina um valor fixo para retirar
  4. Passo 3: registre a retirada
  5. Pró-labore e lucro são coisas diferentes
  6. Viva do essencial, deixe o lucro crescer
  7. O que fazer com a sobra
  8. Resumo

"Paguei a conta de luz de casa com o dinheiro da loja, depois eu acerto." Quase todo dono de negócio já falou isso. Só que esse acerto raramente acontece, e no fim do mês fica impossível saber se a empresa deu lucro ou se o dinheiro só passou pela conta.

Neste guia você vai ver por que misturar as contas atrapalha o preço e os resultados, e como separar o dinheiro da empresa do seu em passos simples.

Por que a mistura destrói a análise

Os gastos pessoais não têm limite. Dá para comprar mais roupa, viajar mais, passear mais, e isso nunca acaba. Já a capacidade da empresa de ganhar dinheiro tem limite, e é o faturamento que define até onde se pode ir.

Quando você paga a conta da casa com o cartão da empresa, três coisas acontecem:

  • O custo da empresa fica maior do que parece, e o preço que você calcula não cobre o que realmente sai.
  • O lucro desaparece da vista. Você não sabe quanto a empresa deu, porque parte já foi para a vida pessoal.
  • Você não sabe se pode investir, reformar ou contratar.

Por isso o primeiro passo de qualquer organização financeira é separar o que é pessoal do que é da empresa.

Passo 1: descubra quanto você precisa para viver

Anote tudo o que você gasta por mês na vida pessoal: moradia, água, luz, internet, plano de saúde, escola, alimentação, lazer e passeios. Some tudo.

Nesse momento, não pense em luxo. Esse número é a sua necessidade de receita pessoal, o mínimo para a vida funcionar. Uma troca de carro ou uma viagem grande vêm depois, com parte do lucro, e não do salário mensal.

Passo 2: defina um valor fixo para retirar

Com a necessidade em mãos, escolha um valor fixo mensal para tirar da empresa, como se fosse o seu salário. O erro mais comum é retirar valores diferentes a cada mês: mil em um, cinco mil em outro, quinze mil depois. Isso desorganiza o caixa.

Faça como faz com os funcionários: tenha um dia certo do mês para a transferência e passe o dinheiro da conta da empresa para a sua conta pessoal. As contas de casa saem da conta pessoal, e não da empresa.

Se no início a empresa não consegue pagar o valor completo, retire o que for possível, mas sempre de forma separada e crescente. A ideia é chegar, mês a mês, a um valor fixo.

Passo 3: registre a retirada

No controle financeiro ou no fluxo de caixa, crie uma categoria própria para as retiradas do dono. Toda vez que você tirar dinheiro, registre ali. No fim do mês, você sabe exatamente quanto saiu para você e quanto ficou na empresa.

Pró-labore e lucro são coisas diferentes

O pró-labore é a remuneração pelo trabalho que você faz na empresa. Já a parte do lucro que o sócio recebe é a remuneração pelo capital investido. Quem trabalha no negócio tem direito a pró-labore. Quem só investe, sem atuar no dia a dia, recebe a participação nos lucros.

Se você exerce várias funções, lembre que não vai receber como cinco profissionais. Uma boa prática é listar as funções que você faz, o tempo dedicado a cada uma e quanto custaria contratar alguém para elas. Isso mostra um valor mais justo.

Viva do essencial, deixe o lucro crescer

Um exemplo de como isso pode funcionar ao longo do tempo:

  • No primeiro ano, a empresa teve R$ 100 mil de lucro. Você precisava de R$ 60 mil para viver e retirou esse valor. Os outros R$ 40 mil ficaram como capital de giro.
  • No segundo, o lucro foi de R$ 200 mil. Você continuou retirando R$ 60 mil, e a empresa ficou com R$ 140 mil de sobra, que podem pagar uma expansão ou uma viagem.

O raciocínio é viver com o essencial e investir o lucro de forma estratégica.

O que fazer com a sobra

Se a sobra for para o seu patrimônio pessoal, existem várias opções, como renda fixa, imóveis e fundos. Converse com um profissional de confiança antes de decidir. E uma regra é importante: nunca coloque bens pessoais no nome da empresa. Se a empresa tiver problemas, o patrimônio pode ser atingido.

Se o objetivo é crescer o negócio, investir na própria empresa pode ser o melhor caminho, mas só quando ela está organizada e tem caixa. Todo investimento tem risco.

Resumo

  • Misturar as contas esconde o lucro e distorce o preço.
  • Descubra sua necessidade de receita pessoal.
  • Defina um valor fixo de retirada, com data certa, e pague as contas de casa pela conta pessoal.
  • Registre a retirada como categoria própria.
  • O lucro é da empresa: viva do essencial e deixe a sobra crescer.

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