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No artesanato, a pergunta "quanto cobrar?" costuma vir carregada de dúvida. A peça é feita à mão, leva horas, cada uma é um pouco diferente da outra. E muitos artesãos acabam cobrando só o material e um pouco mais, como se o próprio trabalho não tivesse valor. É aí que o artesanato vira hobby que paga as contas do material, e não um negócio.
No artesanato, o seu tempo é custo
A diferença mais importante entre a precificação de uma loja e a de um ateliê é esta: na produção artesanal, feita por você, a sua mão de obra entra direto no custo da peça. Assim como o gás, a energia e a água usados na produção.
Em uma empresa com funcionários e estrutura, esses gastos ficam nas despesas gerais e são divididos entre todos os produtos. No ateliê de uma pessoa só, eles pertencem a cada peça.
Para definir o valor da sua hora, pense em quanto você precisa receber por mês e em quantas horas por mês você realmente produz. Se você quer receber R$ 3.000,00 e produz cerca de 120 horas por mês, a sua hora vale R$ 25,00.
O custo completo de uma peça
- Materiais: matéria-prima principal, tintas, linhas, colas, acabamentos, considerando o que se perde no processo.
- Horas de trabalho, inclusive as de acabamento, que costumam ser subestimadas.
- Energia e equipamentos: forno, máquina de costura, ferramentas que se desgastam.
- Embalagem, que no artesanato faz parte da experiência.
- Fotos e divulgação, se você vende pela internet.
Exemplo: uma peça de cerâmica
- Argila, esmalte e queima: R$ 25,00.
- 4 horas de trabalho a R$ 25,00: R$ 100,00.
- Embalagem com proteção: R$ 5,00.
Custo: R$ 130,00.
Agora, onde a peça vai ser vendida faz toda a diferença:
- Venda direta, pelo Instagram ou no ateliê, com taxa de pagamento de 4%, imposto de 6% e margem de 20% para os gastos do ateliê e o lucro: soma de 30%. Preço = 130 dividido por 0,70, igual a R$ 185,71.
- Marketplace de artesanato, com comissão de 20% além dos mesmos percentuais: soma de 50%. Preço = 130 dividido por 0,50, igual a R$ 260,00.
A mesma peça, com o mesmo custo, precisa de preços bem diferentes conforme o canal. Usar o preço da venda direta no marketplace faz a comissão sair inteira do seu trabalho.
Feiras também têm custo
Vender em feira parece não ter taxa, mas tem: o valor do espaço, o transporte, a alimentação e as horas paradas no estande. Some esses gastos e divida pelo número de peças que você costuma vender em uma feira. Esse valor por peça precisa estar no preço da feira.
O valor percebido do feito à mão
No artesanato, a percepção de valor pode ser muito maior do que o custo. A peça é única, tem história, tem a marca de quem fez. Isso permite cobrar mais do que um produto industrializado parecido, desde que o cliente perceba esse valor:
- Conte a história da peça e do processo.
- Mostre o trabalho em fotos e vídeos do ateliê.
- Capriche na embalagem e no acabamento.
- Personalize: nome, cores escolhidas, peças sob encomenda.
Peças personalizadas criam um produto que ninguém mais vende igual. Quando não existe comparação direta, o preço deixa de ser disputado pelo centavo.
Cuidado com o preço de "amigo"
Cobrar abaixo do custo para "começar a vender" costuma criar um problema difícil de desfazer: os clientes se acostumam com aquele preço. É mais fácil começar com o preço certo e trabalhar o valor percebido do que subir muito depois.
Resumo
- No artesanato, a sua hora de trabalho é custo e precisa estar na peça.
- Calcule o valor da sua hora pelo que você precisa receber e pelas horas produtivas do mês.
- Inclua materiais, perdas, energia, embalagem e divulgação.
- Tenha preço por canal: venda direta, feira e marketplace.
- Trabalhe a percepção de valor: história, acabamento e personalização.






