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Precificação por tipo de negócio

Como precificar artesanato

Como colocar preço em peças artesanais sem esquecer o material, as horas de trabalho, as taxas de venda e a sua margem.

Por Paulo Mattos · 4 min de leitura

Como precificar artesanato
Neste guia
  1. No artesanato, o seu tempo é custo
  2. O custo completo de uma peça
  3. Exemplo: uma peça de cerâmica
  4. Feiras também têm custo
  5. O valor percebido do feito à mão
  6. Cuidado com o preço de "amigo"
  7. Resumo

No artesanato, a pergunta "quanto cobrar?" costuma vir carregada de dúvida. A peça é feita à mão, leva horas, cada uma é um pouco diferente da outra. E muitos artesãos acabam cobrando só o material e um pouco mais, como se o próprio trabalho não tivesse valor. É aí que o artesanato vira hobby que paga as contas do material, e não um negócio.

No artesanato, o seu tempo é custo

A diferença mais importante entre a precificação de uma loja e a de um ateliê é esta: na produção artesanal, feita por você, a sua mão de obra entra direto no custo da peça. Assim como o gás, a energia e a água usados na produção.

Em uma empresa com funcionários e estrutura, esses gastos ficam nas despesas gerais e são divididos entre todos os produtos. No ateliê de uma pessoa só, eles pertencem a cada peça.

Para definir o valor da sua hora, pense em quanto você precisa receber por mês e em quantas horas por mês você realmente produz. Se você quer receber R$ 3.000,00 e produz cerca de 120 horas por mês, a sua hora vale R$ 25,00.

O custo completo de uma peça

  • Materiais: matéria-prima principal, tintas, linhas, colas, acabamentos, considerando o que se perde no processo.
  • Horas de trabalho, inclusive as de acabamento, que costumam ser subestimadas.
  • Energia e equipamentos: forno, máquina de costura, ferramentas que se desgastam.
  • Embalagem, que no artesanato faz parte da experiência.
  • Fotos e divulgação, se você vende pela internet.

Exemplo: uma peça de cerâmica

  • Argila, esmalte e queima: R$ 25,00.
  • 4 horas de trabalho a R$ 25,00: R$ 100,00.
  • Embalagem com proteção: R$ 5,00.

Custo: R$ 130,00.

Agora, onde a peça vai ser vendida faz toda a diferença:

  • Venda direta, pelo Instagram ou no ateliê, com taxa de pagamento de 4%, imposto de 6% e margem de 20% para os gastos do ateliê e o lucro: soma de 30%. Preço = 130 dividido por 0,70, igual a R$ 185,71.
  • Marketplace de artesanato, com comissão de 20% além dos mesmos percentuais: soma de 50%. Preço = 130 dividido por 0,50, igual a R$ 260,00.

A mesma peça, com o mesmo custo, precisa de preços bem diferentes conforme o canal. Usar o preço da venda direta no marketplace faz a comissão sair inteira do seu trabalho.

Feiras também têm custo

Vender em feira parece não ter taxa, mas tem: o valor do espaço, o transporte, a alimentação e as horas paradas no estande. Some esses gastos e divida pelo número de peças que você costuma vender em uma feira. Esse valor por peça precisa estar no preço da feira.

O valor percebido do feito à mão

No artesanato, a percepção de valor pode ser muito maior do que o custo. A peça é única, tem história, tem a marca de quem fez. Isso permite cobrar mais do que um produto industrializado parecido, desde que o cliente perceba esse valor:

  • Conte a história da peça e do processo.
  • Mostre o trabalho em fotos e vídeos do ateliê.
  • Capriche na embalagem e no acabamento.
  • Personalize: nome, cores escolhidas, peças sob encomenda.

Peças personalizadas criam um produto que ninguém mais vende igual. Quando não existe comparação direta, o preço deixa de ser disputado pelo centavo.

Cuidado com o preço de "amigo"

Cobrar abaixo do custo para "começar a vender" costuma criar um problema difícil de desfazer: os clientes se acostumam com aquele preço. É mais fácil começar com o preço certo e trabalhar o valor percebido do que subir muito depois.

Resumo

  • No artesanato, a sua hora de trabalho é custo e precisa estar na peça.
  • Calcule o valor da sua hora pelo que você precisa receber e pelas horas produtivas do mês.
  • Inclua materiais, perdas, energia, embalagem e divulgação.
  • Tenha preço por canal: venda direta, feira e marketplace.
  • Trabalhe a percepção de valor: história, acabamento e personalização.

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