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Na gráfica, o mesmo produto pode ter custos muito diferentes dependendo da quantidade. Cem cartões de visita e mil cartões de visita usam o mesmo arquivo, a mesma preparação de máquina e o mesmo acabamento, mas o custo por unidade muda completamente. Quem não entende essa lógica cobra caro demais nas tiragens grandes e perde o cliente, ou cobra barato demais nas pequenas e trabalha de graça.
Custo de preparação e custo por unidade
Todo trabalho gráfico tem dois tipos de custo:
- Custo de preparação: o que você gasta para começar o trabalho, não importa a quantidade. Ajuste da arte, prova, acerto de máquina, folhas perdidas no acerto, regulagem da guilhotina e do acabamento.
- Custo por unidade: o que cada peça consome. Papel, tinta ou toner, desgaste da máquina, acabamento por peça.
O custo de preparação é dividido pela tiragem. Por isso o preço por unidade cai quando a quantidade aumenta.
Exemplo: cartões de visita
- Arte e ajuste do arquivo: R$ 40,00.
- Acerto de máquina e folhas perdidas: R$ 30,00.
- Papel, impressão e corte por cartão: R$ 0,08.
Tiragem de 100 cartões: 40 mais 30, mais 100 vezes 0,08, igual a R$ 78,00, ou R$ 0,78 por cartão.
Tiragem de 1.000 cartões: 40 mais 30, mais 1.000 vezes 0,08, igual a R$ 150,00, ou R$ 0,15 por cartão.
Agora os percentuais: imposto de 6%, cartão de 3%, gastos fixos de 20% e lucro de 20%. A soma é 49%.
- 100 cartões: 78 dividido por 0,51, igual a R$ 152,94.
- 1.000 cartões: 150 dividido por 0,51, igual a R$ 294,12.
A tiragem dez vezes maior custa menos que o dobro. Essa é a lógica que precisa estar na sua tabela.
O que não pode ficar fora do custo
- Perdas de acerto e de impressão. Folhas que saem com cor errada, borrão ou desalinhamento.
- Desgaste e manutenção dos equipamentos. Impressora, guilhotina, plastificadora e laminadora têm peças que se desgastam e precisam de manutenção. Uma reserva mensal para isso deve entrar nos gastos fixos.
- Criação da arte. Se o cliente não traz o arquivo pronto, a criação é um serviço, cobrado pelas horas de trabalho.
- Terceirização. Acabamentos feitos fora, como corte especial ou laminação, entram pelo valor pago mais o tempo de levar e buscar.
- Embalagem e entrega.
Personalizados: o valor está na personalização
Canecas, camisetas, adesivos, convites e brindes personalizados têm uma vantagem: o cliente não encontra exatamente aquele produto em outro lugar. Quando o produto é único, a comparação de preço fica mais difícil, e o valor percebido sobe. Bons modelos, um atendimento que ajuda o cliente a decidir e um acabamento caprichado sustentam um preço melhor.
Urgência tem preço
Trabalho para amanhã desorganiza a produção, empurra outros pedidos e às vezes exige hora extra. É justo ter um preço diferenciado para prazos curtos. Deixe isso claro na tabela, para não virar negociação a cada pedido.
Tabela por faixa de quantidade
A forma mais prática de trabalhar é ter, para cada produto, uma tabela com faixas de quantidade: 100, 250, 500, 1.000 unidades. Cada faixa calculada com a mesma lógica: preparação mais custo por unidade, dividido por (1 menos os percentuais). Assim o atendimento responde rápido e o preço sempre cobre os custos.
Revise a tabela sempre que o papel, a tinta ou o toner subirem. Na gráfica, esses insumos mudam de preço com frequência.
Resumo
- Separe o custo de preparação do custo por unidade.
- O preço por unidade cai com a tiragem, porque a preparação é diluída.
- Inclua perdas de acerto, manutenção, criação e terceirização.
- Tenha tabela por faixa de quantidade e preço para urgência.
- Nos personalizados, trabalhe o valor percebido.






