Paulo Mattos Mentor Lucro Certo
Conceitos de precificação

Custo fixo e custo variável: como separar

Veja o que é custo fixo, o que é custo variável, como separar cada gasto do seu negócio e como isso entra no cálculo do preço.

Por Paulo Mattos · 4 min de leitura

Custo fixo e custo variável: como separar
Neste guia
  1. Custo e despesa não são a mesma coisa
  2. O que é fixo e o que é variável
  3. Por que essa separação muda o preço
  4. Quanto você precisa vender para não ter prejuízo
  5. Erros comuns na hora de separar os gastos
  6. Resumo

Para colocar preço em qualquer coisa, você precisa saber o que a sua empresa gasta. Parece óbvio, mas a maioria dos donos de pequenos negócios coloca todos os gastos no mesmo saco: conta de luz, compra de mercadoria, imposto, aluguel, tudo junto. E aí fica impossível saber quanto custa de verdade vender cada produto.

Separar os gastos em fixos e variáveis, e em custos e despesas, é o primeiro passo para precificar com segurança e para entender por que o dinheiro some no fim do mês.

Custo e despesa não são a mesma coisa

Na gestão financeira, a palavra "gasto" se divide em dois grupos:

  • Custos estão ligados ao que você produz ou vende. A mercadoria comprada para revenda, os ingredientes do bolo, o tecido da roupa, o aluguel do galpão onde a produção acontece.
  • Despesas estão ligadas à estrutura da empresa, à parte administrativa e comercial. O aluguel do escritório, o contador, o sistema, a internet, a comissão de quem vende.

Essa separação ajuda a enxergar onde está o peso do negócio: na produção ou na estrutura.

O que é fixo e o que é variável

Tanto os custos quanto as despesas podem ser fixos ou variáveis. A pergunta que decide é uma só: esse gasto muda quando eu vendo mais ou menos?

  • Fixo é o que você paga do mesmo jeito, vendendo muito ou pouco. Aluguel, salário fixo, contador, internet, mensalidade de sistema.
  • Variável é o que acompanha as vendas. Se você vende o dobro, ele dobra. Se não vende nada, ele não existe.

Juntando as duas ideias, ficam quatro grupos:

  • Custo fixo: aluguel do espaço de produção, salário fixo de quem produz.
  • Custo variável: mercadoria para revenda, insumos, embalagem, frete de compra.
  • Despesa fixa: aluguel do escritório, contador, internet, pró-labore.
  • Despesa variável: imposto sobre a venda, taxa de cartão, taxa de aplicativo, comissão de vendedor.

Na prática, muitos pequenos negócios simplificam e trabalham só com duas caixas: gastos fixos e gastos variáveis. Para precificar, essa simplificação funciona bem, desde que nada fique de fora.

Por que essa separação muda o preço

Os gastos variáveis entram no preço de cada produto: se cada camisa custa R$ 20,50 com frete, esse valor precisa estar no preço de cada camisa vendida. O mesmo vale para o imposto e a taxa do cartão, que são cobrados em cada venda.

Já os gastos fixos são pagos pelo conjunto das vendas do mês. Eles não pertencem a um produto específico. Por isso, na precificação, o mais comum é transformar o total de gastos fixos em um percentual do faturamento.

Exemplo: se a empresa tem R$ 12.000 de gastos fixos por mês e fatura em média R$ 60.000, os gastos fixos representam 20% do faturamento. Esse percentual entra no cálculo do preço junto com os percentuais de imposto, taxa e margem desejada.

Quanto você precisa vender para não ter prejuízo

Com fixos e variáveis separados, você consegue responder uma das perguntas mais importantes de qualquer negócio: qual é o faturamento mínimo para empatar? Esse número se chama ponto de equilíbrio.

  1. Calcule quanto sobra de cada R$ 100 vendidos depois de pagar os gastos variáveis. Exemplo: se os variáveis somam 45% do faturamento, sobram 55%.
  2. Divida os gastos fixos do mês por esse percentual. Com gastos fixos de R$ 22.000: 22.000 dividido por 0,55 dá R$ 40.000.

Ou seja, essa empresa precisa faturar R$ 40.000 só para pagar todas as contas. Abaixo disso, ela tem prejuízo. Acima disso, começa a formar lucro.

Erros comuns na hora de separar os gastos

  • Esquecer o pró-labore. O seu trabalho na empresa tem custo. Se você não se paga, o preço está baixo e o lucro é ilusão.
  • Tratar imposto como fixo. O imposto sobre a venda acompanha o faturamento. Ele é variável e precisa estar no preço.
  • Deixar gastos pequenos de fora. Embalagem, sacola, etiqueta, taxa de boleto. Separados parecem pouco. Somados no mês, fazem diferença.
  • Misturar contas pessoais e da empresa. Se o mercado da casa sai do caixa da empresa, nenhum cálculo fica certo. Separar as contas é condição para qualquer gestão funcionar.
  • Usar o faturamento de um mês atípico. Para calcular o percentual dos fixos, use a média de alguns meses.

Resumo

  • Custos estão ligados ao que você produz ou vende. Despesas estão ligadas à estrutura da empresa.
  • Fixo é o que não muda com as vendas. Variável é o que acompanha as vendas.
  • Gastos variáveis entram no preço de cada produto. Gastos fixos entram como percentual do faturamento.
  • Gastos fixos divididos pelo que sobra dos variáveis mostram quanto você precisa faturar para empatar.
  • Pró-labore, imposto e gastos pequenos não podem ficar de fora.

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