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Conceitos de precificação

Planilha de precificação: o que ela precisa ter

As colunas e contas que uma planilha de precificação precisa ter, com exemplo, e os erros que fazem a planilha mostrar um preço sem lucro.

Por Paulo Mattos · 4 min de leitura

Planilha de precificação: o que ela precisa ter
Neste guia
  1. O que a planilha precisa responder
  2. Parte 1: o custo completo
  3. Parte 2: os percentuais
  4. Parte 3: o preço sugerido
  5. Parte 4: a conferência do preço atual
  6. Os erros que estragam uma planilha
  7. Comece pelos produtos que mais vendem
  8. Quando revisar
  9. Resumo

"Eu tenho uma planilha de preço, mas não confio muito nela." Muita gente tem. Baixou um modelo pronto, preencheu uma vez e nunca mais mexeu. O problema é que uma planilha de precificação só ajuda se tiver as informações certas, a conta certa e for atualizada.

Neste guia você vai ver o que uma planilha de precificação precisa ter, como montar cada parte e quais erros fazem a planilha mostrar um preço que não dá lucro.

O que a planilha precisa responder

Uma boa planilha de precificação responde três perguntas para cada produto:

  1. Quanto ele custa de verdade?
  2. Qual deveria ser o preço para cobrir tudo e deixar o lucro que eu quero?
  3. Quanto sobra no preço que eu pratico hoje?

A terceira pergunta é a que mais revela problemas. É nela que você descobre os produtos que vendem bem e não deixam nada.

Parte 1: o custo completo

Para cada produto, uma linha com as colunas:

  • Custo de compra ou de produção, por unidade.
  • Frete, dividido entre os itens da nota.
  • Embalagem: sacola, caixa, etiqueta, fita.
  • Imposto pago na compra, quando houver, como a substituição tributária.
  • Perdas: quebra, vencimento, sobras.
  • Custo total: a soma de tudo.

Se você produz, o custo de produção vem da ficha técnica de cada produto, com ingredientes ou materiais, rendimento e mão de obra.

Parte 2: os percentuais

Em uma área separada da planilha, os percentuais que valem para todos os produtos, ou para cada canal de venda:

  • Imposto sobre a venda.
  • Taxa de cartão, usando a média das formas de pagamento.
  • Comissão, se houver.
  • Taxa do aplicativo ou marketplace, para os canais que cobram.
  • Despesas fixas em percentual: o total das despesas fixas do mês, incluindo o pró-labore, dividido pelo faturamento médio.
  • Lucro desejado.

Parte 3: o preço sugerido

Com o custo e os percentuais, a planilha calcula o preço sugerido:

Preço sugerido = custo total dividido por (1 menos a soma dos percentuais)

Exemplo: produto com custo de compra de R$ 20,00, frete de R$ 1,00 e embalagem de R$ 0,50. Custo total de R$ 21,50.

Percentuais: imposto de 6%, cartão de 3%, despesas fixas de 25% e lucro de 10%. Soma de 44%.

Preço sugerido = 21,50 dividido por 0,56 = R$ 38,39.

Parte 4: a conferência do preço atual

Aqui está a coluna mais valiosa. Ao lado do preço sugerido, coloque o preço que você pratica hoje e calcule quanto sobra de verdade.

Continuando o exemplo, imagine que o produto é vendido por R$ 35,00:

  • Imposto e cartão, 9%: R$ 3,15.
  • Despesas fixas, 25%: R$ 8,75.
  • Custo: R$ 21,50.
  • Sobra: R$ 1,60, ou 4,6% do preço.

O produto não dá prejuízo, mas deixa menos da metade do lucro planejado. Com essa coluna, a planilha mostra de uma vez quais produtos precisam de atenção.

Os erros que estragam uma planilha

  • Somar os percentuais em cima do custo. Multiplicar R$ 21,50 por 1,44 dá R$ 30,96, um preço que não cobre as despesas. Os percentuais incidem sobre o preço, por isso a conta é de divisão.
  • Usar um markup único para tudo. Produtos com custos e despesas diferentes precisam de cálculos diferentes.
  • Esquecer o pró-labore nas despesas fixas.
  • Não atualizar o custo. Se o fornecedor reajustou e a planilha não, o preço sugerido fica errado.
  • Tentar precificar tudo de uma vez. Quem tem centenas de produtos trava. Comece pelos que mais vendem.

Comece pelos produtos que mais vendem

Na maioria dos negócios, cerca de 20% dos produtos respondem por 80% do faturamento. Monte a planilha primeiro com esses itens. Corrigir o preço deles já muda o resultado do mês. Os demais você completa aos poucos.

Quando revisar

  • Sempre que um fornecedor reajustar o preço.
  • Quando uma despesa fixa mudar, como aluguel ou folha de pagamento.
  • Quando mudar o imposto ou a taxa de algum canal.
  • No mínimo, a cada três meses, mesmo que nada pareça ter mudado.

Resumo

  • A planilha precisa mostrar custo completo, preço sugerido e sobra no preço atual.
  • Os percentuais incluem imposto, taxas, comissão, despesas fixas e lucro.
  • Fórmula: custo total dividido por (1 menos a soma dos percentuais).
  • Somar percentuais ao custo e usar markup único são os erros mais comuns.
  • Comece pelos produtos que mais vendem e revise com frequência.

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