Neste guia
"Quando eu percebo, o produto já acabou." Se essa frase é familiar, o que falta no seu controle é um número: o ponto em que você precisa fazer um novo pedido. Dois conceitos resolvem isso, o estoque mínimo e o estoque de segurança, e ambos saem de uma conta simples.
Neste guia você vai aprender a calcular os dois, entender para que serve cada um e evitar o erro contrário, que é comprar demais.
O que é estoque mínimo
Estoque mínimo é a quantidade de um produto que você precisa ter para vender enquanto o novo pedido não chega. Ele depende de duas coisas: quanto o produto vende por dia e quantos dias o fornecedor leva para entregar.
A conta é:
venda média por dia vezes dias de reposição = estoque mínimo
Exemplo: um produto vende, em média, 6 unidades por dia, e o fornecedor leva 4 dias para entregar. Seis vezes 4 dá 24 unidades. Com menos de 24 em estoque, você já corre o risco de ficar sem produto antes de o pedido chegar.
O que é estoque de segurança
O estoque de segurança é a folga que você coloca por cima do mínimo para os imprevistos. A venda de um dia pode ser maior que a média, o fornecedor pode atrasar um dia, uma promoção pode puxar a saída.
Uma forma prática de calcular é pensar em dias de folga. Se você decide manter 2 dias de segurança, o cálculo é:
venda média por dia vezes dias de segurança = estoque de segurança
No mesmo exemplo: 6 unidades vezes 2 dias dá 12 unidades.
O ponto de pedido
Juntando os dois, você chega ao número que importa: o ponto de pedido. É a quantidade em estoque em que você deve fazer o novo pedido.
venda média por dia vezes (dias de reposição mais dias de segurança) = ponto de pedido
No exemplo: 6 vezes (4 mais 2) dá 6 vezes 6, ou seja, 36 unidades. Quando o saldo chegar a 36, faça o pedido. Se o fornecedor entregar no prazo, o produto chega quando restam cerca de 12 unidades, e a folga cobriu os imprevistos.
Quais produtos precisam de mais segurança
Nem todos os produtos pedem a mesma folga. Uma regra prática:
- Produtos de saída rápida e de boa margem (classe A da curva ABC) merecem mais segurança. A falta deles custa caro.
- Produtos de saída média pedem uma folga moderada.
- Produtos que quase não saem não precisam de segurança. Às vezes é melhor comprar sob encomenda.
Também vale considerar a sazonalidade. Antes de datas fortes, a venda média por dia sobe, e o ponto de pedido precisa subir junto. Usar a média de um mês parado para uma semana de pico é uma das causas mais comuns de falta.
O erro contrário: segurança demais
Se faltar produto é ruim, sobrar também é. Cada unidade guardada é dinheiro que não está no caixa. Um estoque de segurança grande demais, em todos os produtos, prende capital de giro, ocupa espaço e aumenta o risco de perda por validade ou por produto parado.
O equilíbrio vem de revisar os números de tempos em tempos:
- Confira o prazo real de entrega do fornecedor. Muitas vezes ele é diferente do combinado.
- Atualize a venda média por dia. Ela muda ao longo do ano.
- Compare o que sobrou e o que faltou. Se faltou, aumente a folga. Se sobrou muito, reduza.
Um cuidado ao calcular
Use as vendas dos dias em que o produto estava disponível. Se ele ficou três dias em falta, a venda daquele mês parece menor do que a demanda real. Calcular a média com esses dias zerados faz o estoque mínimo sair pequeno e a falta se repete.
Resumo
- Estoque mínimo é a venda média por dia vezes os dias de reposição.
- Estoque de segurança é a folga para imprevistos, medida em dias de venda.
- Ponto de pedido é o saldo em que você deve pedir de novo.
- Produtos de saída rápida e boa margem merecem mais segurança.
- Segurança demais prende dinheiro, então revise os números com frequência.






